Introdução
Eu nasci. E sempre pensei que tinha nascido para ser
mãe. Mas por outro lado a partir de um
certo momento da minha vida, sempre pensei que não podia sê-lo. Por muitos
motivos que tivesse, baseadas na verdadeira razão, e não no coração, acreditava
que o universo não me podia presentear com algo que eu queria muito, pois assim
estava a ser bom demais para mim e eu nem nunca tive muita sorte…
Então no dia em que soube da minha gravidez, depois de 6
meses de casada , eu tive que esfregar os olhos várias vezes para ver o teste. E foi o dia mais
feliz da minha vida, até ele ter nascido.
O caminho que tracei foi registado, porque o que estava a
viver ninguém me tinha informado que iria ser assim. Achei necessário avisar o
mundo! Ninguém me havia dito que era silencioso, que não se sentia nada , que o
primeiro “chuto” seriam bolhinhas, nem que o Sofá foi feito para as grávidas
nos últimos dias, e que estes seriam insuportáveis de passar.
As crónicas, diário ou semanário de uma gravidez desejada , que nada fazia
prever o seu desfecho: Depressão Pós- Parto.
É neste ponto que quero fazer-me explicar, que nada e
ninguém pode causar este “estado de espírito”, muito menos prevenir. Eu fui a
grávida mais feliz, e não havia nada que me dissesse que eu iria ser a mãe mais
infeliz durante os primeiros tempos.
Vou escrevendo no balanço dos dias alegres, do meu bom
humor, e dos dias mais sérios onde eu teço palavras decididas e sem qualquer
tom de felicidade. Esta junção de contentamento, com tom irónico à mistura faz
tudo parte do mundo grávido. Onde as sensações são puras e a irritabilidade
está à flor da pele. Tanto me rio, como choro.
As crónicas da Gravidez são contadas no momento “Antes” da
virada da minha vida. Qualquer aspecto da minha personalidade, se ainda não
tinha mudado, estava a mudar lentamente.
As crónicas de uma vida nova são contadas depois de tudo
mudar da minha vida, até a minha personalidade.
Se era para me desprender de alguma coisa ou alguém, foi a
gravidez que me concedeu o desapego.
Conseguirão as pessoas entender também quanto a minha vida
mudou , e todo o sentimento de depressão que vivi? Conseguirão todas, ter tanta
vontade de escrever assim como eu tive para se lembrar de cada pensamento na
melhor fase da vida de uma mulher?
As minhas aventuras como mãe não terminam, e cada dia é uma
descoberta. As crónicas sim terminam com uma homenagem feita à minha avó
Carlota . Ela parte do nosso mundo, tendo o meu filho 6 meses e eu termino este
ciclo de crónicas da forma como preparei os meus registos: Tudo tem um princípio,
um meio, e um fim.
Mas isto…isto é
contado ao tempo – luz do meu pensamento enquanto vivia as emoções, e é assim
que começo…
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